ler Aquilino Ribeiro

"Mas, em qualquer altura, alguém que tenha a inclinação solitária, ou atenta, ou simplesmente erudita, abrirá um livro de Aquilino (…) e amará o seu verbo.» A.Bessa-Luís

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Rui Marques Veloso in A obra de Aquilino Ribeiro para crianças : imaginário e escrita

«A segunda obra para crianças que Aquilino Ribeiro escreveu tem o título de Arca de Noé III Classe e um destinatário específico – o filho Aquilino, que o pai trata carinhosamente por Riquinho e também por Ico Barrabico. Para este insaciável devorador de histórias, o autor criou seis contos que apresentam alguns pontos comuns com o romancinho destinado ao outro filho. Testemunha-nos Aquilino Ribeiro Machado que o seu pai afirmava a propósito destes dois livros: “É das melhores coisas que eu fiz como literatura.” (Testemunho registado durante um debate realizado na Fundação Calouste Gulbenkian e integrado no VI Encontro de Literatura para Crianças, em 07 -11-85.) O aparente exagero destas palavras não esconde a carga emotiva que rodeou a criação de histórias destinadas aos filhos e, em seguida, trabalhadas para publicação. (p.89)

(…) No plano da forma voltamos a encontrar alguns dos processos já utilizados no Romance da Raposa. Assim os artifícios rítmicos têm uma componente lúdica capaz de agarrar o leitor: a escolha dos nomes próprios das personagens, as aliterações, as onomatopeias são alguns dos processos que iremos ver mais em pormenor. O receptor que ainda não sabe ler delicia-se a ouvir as histórias, contanto que sejam bem contadas, isto é, que se respeitem os elementos fónicos e rítmicos que, por sua vez, são um suporte do universo diegético.

A simples leitura dos títulos indicia-nos uma temática afim e a exploração de aspectos rítmicos que se apoiam na oralidade. “História de Joli, cão francês, que boa caçada fez” ilustra isto mesmo. A galeria de animais que povoam esta Arca de Noé é vasta, uns intervindo activamente nos contos em que se inserem, outros meros figurantes.
Num testemunho pessoal, marcado por uma profunda sinceridade, Mestre Aquilino diz-nos, a propósito dos seus contos para crianças, que terá sido, de toda a prosa que escreveu, a mais “simples e colorida”. (Aquilino Ribeiro, Abóboras no Telhado, p. 340). (p.92 )   (…)»

Rui Marques Veloso in  A obra de Aquilino Ribeiro para crianças : imaginário e escrita. Mundo de saberes ; 12. Porto : Porto Editora, 1994.  ISBN 972-0-34082-7.

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Natércia Rocha sobre o Romance da Raposa

«No mesmo ano (1924), Aquilino Ribeiro escreveu um livro dedicado a seu filho Aníbal, Romance da Raposa, editado por Aillaud& Bertrand. As ilustrações são de Benjamin Rabier, ilustrador francês muito apreciado. Nessa obra excelente, Aquilino isenta de classificações morais as atitudes e situações que envolvem os animais, embora os aproxime do Homem dando-lhes fala e raciocínio; mas os actos regem-se por leis de sobrevivência e não por critérios de bem ou de mal. Salta-Pocinhas, a raposa ladina, rouba e mata para comer e não ser comida. Texto riquíssimo de humor, ternura e ironia, musicalidade e “suspense”, a história de Salta-Pocinhas encanta as crianças; elas compreendem e sentem, mesmo quando as palavras são estranhas e misteriosas. Puxadas umas pelas outras, as palavras são prazer antes de revelarem o significado; dir-se-ia que são brinquedo, antes de serem ferramenta. O Romance da Raposa é uma das mais notáveis obras para crianças, escrita por autor português.»

Natércia Rocha in Breve História da Literatura Portuguesa para Crianças  CALP – Colecção Biblioteca Breve – Volume 97, 1992, p.60 (pesquisar na Biblioteca Digital Camões aqui)

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