ler Aquilino Ribeiro

"Mas, em qualquer altura, alguém que tenha a inclinação solitária, ou atenta, ou simplesmente erudita, abrirá um livro de Aquilino (…) e amará o seu verbo.» A.Bessa-Luís

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“O que está feito, está feito / viva o meu amor-perfeito!”

oquestafeitoestafeito_marianinha_aquilino_ribeiro1«O que está feito está feito,
viva o meu amor-perfeito!» (p.51)

“Ai abóbora, ai aboborinha, estás aqui, estás na panelinha!”

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“─ Nem lande, nem grão, valha-me Santo Antão! “

in História de Joli cão francês que boa caçada fez (Arca de Noé III classe)

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“Menino venha ao arraial…”

meninovenhaaoarraial_livrodemarianinha«Menino, venha ao arraial
ver como se dança a chula!
Chamem-lhe cafre, chamem-lhe chula,
não há outra em Portugal.
Melhor a dança quem mais pula,
dança-a o velho e o novo,
para a chula tudo é igual.
Salta, salta meu povo,
a vida são dois dias
cantar e dançar as alegrias. (…»
In O Livro de Marianinha (2010), p.46

fonte da imagem

Luísa Dacosta: “O Livro de Marianinha” de Aquilino Ribeiro

A ler, verdadeiramente deliciada o artigo de Luisa Dacosta “O Livro de Marianinha” de Aquilino Ribeiro- leitura e notas à margem e um post scriptum para Maria Keil”  publicado no 2º número (Abril, 2000) da Revista malasartes [cadernos de literatura para a infância e juventude ].
Ontem a arrumar as minhas estantes (arrumações de Verão) descobri este e o número 6 de 2001 que também queria consultar e que não encontrei na BMAG….

Transcrevi-o todinho para aqui …
Que bem que escreve Luísa Dacosta! Eis um excerto:

LuisaDacosta_MariaKeil_AquilinoRibeiro_malasartes

«Post Scriptum para Maria Keil- que tanto chorou no enterro de Aquilino por ele não ter tido o gosto de espreitar as ilustrações.

Um livro para crianças precisa realmente da respiração da imagem para elas chinclimpezarem* das letras para o desenho. Estas de tanta imaginação e cor, ora ensolarando o texto, ora entretecendo-se com ele, ora fazendo-lhe rodapé, ora remate, são maneirinhas, graciosas e cheias de infância. Algumas atingem mesmo o símbolo, como a da capa, e transformam o livro num imenso papagaio solar que fará a alegria das nossas mãos, dos nossos olhos e do nosso pensamento. São preciosas. Tornam o livro um todo exemplar. Um livro onde se deve escrever para que não leve sumiço:

“Livro meu, muito amado,
tesouro do meu saber
se algum dia te perder,
faça o favor de o restituir
quem houver de o achar,
senão ao inferno vai cair
com a cabeça para o chão
e os pés para o ar
até se afundir no caldeirão.”»

Luísa Dacosta in "O Livro de Marianinha" de Aquilino Ribeiro: Leituras e notas à margem e um post scriptum para Maria Keil. Malasartes: cadernos de literatura para a infância e a juventude, n. 2, p.19, abr. 2000.

—–

Nota: *”chinclimpezarem” termo inventado seguramente por Luísa Dacosta. No Glossário sucinto para melhor compreensão de Aquilino Ribeiro [por] Elviro da Rocha Gomes.Ribeiro  pelo menos não aparece nem o o encontrei em mais nenhum lugar …

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